Monge fala sobre altruísmo, felicidade e ciência

O monge Matthieu Ricard está de passagem pelo Brasil para o lançamento do seu novo livro “A revolução do altruísmo” (Editora Palas Athena). Matthieu, phD em biologia molecular, deixou o Instituto Pasteur na França há mais de 40 anos para se dedicar ao budismo e ficou conhecido mundialmente em 2012 como “o homem mais feliz do mundo” quando pesquisas científicas sobre meditação revelaram que a área do cérebro (córtex pré-frontal esquerdo) associado a felicidade e alegria nele eram acentuadas (como acontece com um fisioculturista).

Em sua palestra em 19 de maio de 2015,  no Hospital Israelita Albert Einstein em São Paulo o monge falou sobre felicidade, altruísmo, budismo e meditação.

Sem a pretensão de resumir todos esses assuntos em uma única matéria e, não sendo uma jornalista profissional, deixo aqui algumas percepções que tive durante o evento e depois, conversando com amigas psicólogas e folheando seu livro.

É natural a todos os seres humanos o desejo de ser feliz. O que difere são os conceitos e caminhos para a felicidade. Enquanto estivermos focados no “mundo exterior”, no “ter” e no “prazer” para sermos felizes experimentaremos frustrações pois essa natureza depende do outro, do local, da situação, muda o tempo todo e se consome a medida que a experimentamos.

Já a felicidade, ou a sensação de bem estar profundo como diz Matthieu, é um sentimento de serenidade e realização, permeado de verdade que sustenta todos os momentos. Mesmo em situações tristes é possível estarmos serenos e alinhados com a verdade, nossa e do mundo.

Você pode estar no paraíso com todas as condições favoráveis mas se não estiver bem consigo mesmo não experimentará a felicidade.

Devemos ter essa consciência de que a felicidade determina a qualidade de cada instante das nossas vidas.

Somos essencialmente seres humanos bons, ajudamos o próximo e assim, ajudamos a nós mesmos. Sim, existe egoísmo mas não nessa proporção que nos mostram. Espontaneamente ajudamos uns aos outros, muitas vezes sem pensar em recompensa ou reconhecimento mas porque é escolha natural da ocasião. Ajudar uma criança que caiu, ajudar um deficiente visual atravessar a rua….

Temos o potencial para sermos bons ou maus, depende da motivação. Mas parece que a mídia e até alguns filósofos e psicólogos enfatizam somente a parte ruim dos seres humanos. Se acreditarmos que isso predomina na maioria das pessoas sentiremos um desânimo enorme.

Como diz um professor meu de yoga “se você dormir acreditando que todas aquelas notícias do telejornal são únicas e verdadeiras, você não levanta no dia seguinte”. A gente levanta no dia seguinte porque acredita que podemos ser melhores, ser felizes, que o mundo e as pessoas são bons.

Como fala o monge, hoje em dia existe a “banalidade do bem”, ninguém comenta e divulga as atitudes positivas das pessoas, pois é esperado que ajam assim. Mas o contrário, quando algo ruim acontece, é explorado e anunciado exaustivamente.

Cultivar o altruísmo, desejo que o outro seja feliz e encontre a causa da felicidade, faz bem à nós e ao outro a curto prazo pois melhora a qualidade de nossas relações, à sociedade e ao mundo a médio e longo prazo.

Essas mudanças de pensamentos e consequentemente emoções e atitudes podem ser treinadas com a meditação. Estudos em neurociência e epigenética já revelaram que o cérebro se altera com a prática da meditação. Vinte minutos por dia durante 4 semanas já apresentam resultados favoráveis. O cérebro e a mente são maleáveis assim como a maneira de enxergar o mundo.

Existem antídotos para os pensamentos e emoções negativas. A meditação da compaixão e do amor altruísta é uma dessas ferramentas.

Simplificando a meditação, primeiro reconhecemos que todos querem ser felizes e que todos sofrem.  Pensamos em um ser querido que sofre e para o qual dirigimos amor. Na sequência expandimos gradualmente esse sentimento à outras pessoas até a totalidade dos seres até que a mente seja impregnada de amor.

Estimular a cooperação no lugar da competição. A harmonia sustentável no lugar de crescimento sustentável, onde faremos mais com menos, onde teremos mais qualidade e menos quantidade.

A empatia, quando você reconhece e entra em ressonância com o sentimento do outro não é suficiente e pode ser até angustiante, como nos casos dos profissionais da saúde que se identificam com o sofrimento dos seus pacientes e sofrem também. É necessário o altruísmo, desejar que o outro seja feliz e a compaixão, enviar amor.

Nos estudos com ressonância magnética mostrou-se a diferença nas áreas cerebrais envolvidas na empatia e na compaixão durante a meditação.

Cultive o altruísmo e acredite no seu mundo cor-de-rosa onde você e as outras pessoas podem e são felizes!

Como diz o Matthieu Ricard “Viva a revolução do altruísmo”!

post_circulo_einstein

Giselle Mello, Sheila Zambrini e Haedyl Mayrink

no auditório do Hospital Israelita Albert Einstein – SP

 

1 Comentário

  1. Hosting disse:

    Foram momentos de silencio e muita paz. Uma comunhao entre o monge e os medicos. Entre a ciencia e o transcendental. Entre a logica e o altruismo.

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