Quais os benefícios de uma boa mastigação?

Você já parou para pensar se a sua maneira de mastigar os alimentos está correta? Parece algo simples, e sempre ouvimos falar da sua importância na digestão, mas os benefícios de uma boa mastigação correta vão muito além.

O seu início ocorre por volta do sexto mês de vida, quando inicia a erupção dos dentes incisivos centrais inferiores e superiores. Essa função inicialmente é importante para o desenvolvimento dentário, pois a criança mesmo sem dentes posteriores, ao mastigar um pedaço de alimento sólido, provoca a esfregação dos rebordos gengivais estimulando o crescimento dos dentes.

A mastigação de alimentos variados cria novos reflexos que favorecem a diversidade de movimentos de lábios, língua e mandíbula garantindo o desenvolvimento adequado destas estruturas (Limongi, 1987). Ela ocupa um papel importante no desenvolvimento da musculatura e dos ossos da face, portanto é necessário que ocorra de forma harmônica e sincronizada (Planas,1988; Rispoli & Bacha, 1998).

De acordo com a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, o padrão ideal de mastigação é a bilateral. Ela pode ser simultânea ou alternada, com movimentos verticais e de rotação de mandíbula.

Mastigar corretamente beneficia o tônus muscular da boca e da língua, a saúde dos dentes e o bom funcionamento do sistema digestivo. Além disso, previne as alterações nas arcadas dentárias, os distúrbios da Articulação Temporomandibular (ATM) que podem causar dores crônicas de cabeça, fragmenta os alimentos de maneira correta, o que ajuda na digestão e aumenta a sensação de saciedade.

Alterações respiratórias como rinite e desvio de septo, que causam obstrução da respiração e exigem a respiração oral podem provocar a má mastigação.

Se a boa mastigação é tão importante e traz tantos benefícios a saúde, o aprender a mastigar na fase de desenvolvimento dos bebês, se torna uma tarefa de extrema importância.

O desafio é para os pequenos e também para os pais, já que muitos costumam facilitar a alimentação da criança mantendo por tempo muito prolongado a dieta pastosa, o que não é indicado e pode levar a consequências graves no futuro porque desequilibra o tônus muscular dos órgãos fonoarticulatórios (o lábio, a língua e as bochechas). Este desequilíbrio pode levar a uma deformação das arcadas dentárias, além de levar a criança a ter problemas de fala como a incapacidade de articular determinados fonemas, pois uma articulação eficiente depende da precisão e coordenação dos órgãos fonoarticulatórios, que são desenvolvidos pelas funções de mastigação, respiração, sucção e deglutição (Limongi, 1987; Almeida & Chakmati, 1996).

Para a saciedade, é mais importante que o bolo alimentar seja mantido sobre os dentes de trituração, o que aumenta a pressão interoclusal. A força mastigatória ativa os receptores dos ligamentos periodontais que enviam informações a um centro de saciedade no cérebro.

Quando comemos muito rápido, não é possível realizar a mastigação corretamente, portanto a força mastigatória é menor ou inexistente, não há estimulo dos ligamentos periodontais e os receptores de saciedade não são ativados.

 

 

Que a mastigação traz muitos benefícios, agora já sabemos, mas como identificar uma mastigação ineficiente e corrigir o problema?

É primordial que se dê atenção ao próprio bolo alimentar. Pedaços muito grandes de alimento, desconforto após as refeições como sensação de estômago muito cheio, dores abdominais, sonolência, arrotos, enjôos e até vômitos, ou necessidade de utilização do líquido na hora de engolir já são sinais importantes de que a função não está sendo realizada corretamente.

Outro fator importante é o desconforto ou dor durante a mastigação na região das bochechas ou da ATM. Estalos ou ruídos nos ouvidos também são sinais de que algo está errado.

Os dois profissionais que usualmente realizam orientações sobre mastigação são o fonoaudiólogo e o nutricionista. O fonoaudiólogo é o profissional que atua em prevenção, avaliação e terapia fonoaudiológica, sendo a motricidade orofacial uma de suas áreas de atuação no qual o processo mastigatório se inclui.

Já o nutricionista investiga e aplica o conhecimento científico para promover a compreensão dos efeitos da dieta na saúde e no bem estar de seres humanos. Além disso, orientam e vigiam a nutrição e a alimentação intervindo na adequação, qualidade e segurança alimentar, com o objetivo da promoção de saúde, prevenção e tratamento da doença.

 

 

 

 Texto escrito por Andressa Martins Bueno

Fonoaudióloga pela USP- São Paulo. Formação em Desenvolvimento de Fala e Linguagem, em Síndromes e Alterações Sensório-motoras, em Apraxia de Fala na Infância, em Leitura e Escrita, em Disfagia Infantil, em Disfagia Orofaríngea Neurogênica e no Método Therapy  Taping – Conceito de Estimulação Tegumentar (Bandagem).

1 Comentário

  1. Patricia disse:

    ótimo texto. Parabéns!

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