Psicanálise em grupo. Entenda e participe!

Psicanálise em grupo. Entenda e participe!

Um convite que promoveu um diálogo sobre grupos.

Esses dias, eu e a Ludmila, minha parceira nos grupos terapêuticos, informamos aos amigos do whatsapp, que estávamos abrindo um ciclo de entrevistas para as pessoas interessadas em viver e participar de um processo terapêutico grupal.

Desse convite, algumas questões surgiram, como por exemplo: o que é um grupo terapêutico? Como funciona? Posso participar?  Qual a diferença entre um processo terapêutico em grupo e um processo individual?

Quando lia as mensagens recebidas, lembrava o que Freud dizia, quando tinha que resumir em uma palavra, o que vem a ser a psicanálise.  Para ele, essa palavra seria sem dúvida, o inconsciente.

Tanto o processo terapêutico individual quanto o grupal tem como objetivo investigar e analisar o inconsciente.  A tarefa do analista nos dois campos terapêuticos é investigar aquilo que escapa da percepção consciente do sujeito e, que muitas vezes, lhe traz mais conflitos e dificuldades ao conviver consigo próprio enquanto se relaciona com o outro; se vincula; faz trocas, quando se vê as voltas com limites, enquanto respira, pulsa, se emociona e deseja.

Kaes* ao pensar o processo analítico individual e grupal, diz que os dois se aproximam em alguns aspectos do jogo de frescoball e do jogo da peteca, respectivamente. Nos dois jogos “só podemos decidir nosso movimento a partir do movimento alheio. É um jogo onde ambas as partes jogam pela continuação do jogo e, exigem um trabalho de concentração que envolve tanto o corpo quanto a mente”.

Tanto no jogo de frescoball quanto no jogo da peteca, o encontro entre os jogadores em campo os enlaça. Dando vida a esta relação, já que, este enlace envolve afetos, fantasias, defesas, angústias, identificações, alianças, pactos. Vivências inconscientes que vão engendrando jogadas em campo que podem causar mutualidade, reciprocidade ou não!

É no campo relacional que se desenvolve o trabalho psicanalítico individual e dos grupos. Sendo esta a grande especificidade do método em psicanálise. Sua abordagem leva em consideração o efeito causado pelo outro e o efeito da presença do outro na vida psíquica de cada participante do encontro.

A aposta psicanalítica é de que a subjetividade, ou melhor, o mundo interno do sujeito, apenas ganha sentido se referido a um externo, a um fora do sujeito que não ele mesmo.

No jogo de frescoball, encontra-se em campo a dupla analítica (analista e analisando) e, no jogo da peteca, o que temos é a pluralidade dos jogadores em campo.

Uma das diferenças expressivas do campo terapêutico grupal é, sem duvida. A presença de vários outros sujeitos e. Os efeitos que esta presença plural imprime na dinâmica do jogo. Outra diferença tão importante quanto a pluralidade é o face a face que se dá no campo grupal. Que faz com que o olhar e o corpo adquiram uma dimensão de importância na cena grupal.

A terceira diferença é a presença da pluralidade de discursos no grupo e o cruzamento entre os discursos e. Que resulta no terceiro traço marcante em situação de grupo e que diferencia, da clínica individual.

No grupo “os participantes também interpretam explicitamente, e voluntariamente, atuam, respondem, encenam, confirmam, interferem, opinando, aconselhando, propondo. Criticando ou aplaudindo sobre o curso das ações”. A interpretação não fica centralizado somente na figura do analista, é distribuída entre todos os participantes do grupo.

Sobre a questão, se nossos amigos poderiam participar dos grupos terapêuticos coordenados por nós, infelizmente, não. Mas, os amigos dos amigos são bem vindos. Mas, se amigos tiverem interesse no trabalho terapêutico. Temos uma profissional de grupo, que além de ser nossa querida parceira, é doutora na área.

E, a questão de como os grupos funcionam, por ora, deixamos de lado, pois é um assunto longo e merece uma próxima conversa.

 Interessados em participar do grupo entrar em contato com Renata Quina ou Ludmila Carderelli. 

 

chairs

Renata Quina

Centro de Psicanálise de Grupo

Referência –  René Kaes , Um singular plural, 2007

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