Morte – O quanto estamos preparados?

Refletir sobre a única certeza que temos na vida, a morte, nos permite dar mais sentido e valor aos aspectos realmente valiosos da nossa existência e nos traz maior lucidez sobre nossas escolhas. 

Desde que o mundo é mundo, a morte faz parte do nosso cotidiano. Acontece nas várias partes do globo por inúmeros fatores e mecanismos, tanto de ordem natural como em  decorrência de interferência humana. Ultimamente, porém, a quantidade de acontecimentos que vêm desencadeando o aumento de mortes. Principalmente as caracterizadas como trágicas, violentas e coletivas, parece apontar para uma configuração mais singular da realidade. O número de óbitos cresce num curtíssimo espaço de tempo nunca antes visto.

Diante disso podemos nos questionar até que ponto essa avalanche de notícias possibilita refletir sobre nossa finitude. Ou, seria melhor dizer, sobre nossa eternidade?

ESPIRITUALIDADE E VIDA PÓS MORTE

De acordo com uma pesquisa conduzida em 2007 pelo Datafolha:fe

  • 1% da população brasileira não acredita na existência de Deus;
  • 21% não acredita em vida após a morte;
  • 7,3% da população diz não ter religião.

Diferenças de crença à parte, a maioria das religiões tem convicção na existência do espírito e em sua sobrevivência após a morte.

Por outro lado, falar sobre a morte ainda gera desconforto na nossa e em diversas outras culturas. Essa atmosfera de negação (e medo) da morte, que vem se perpetuando de geração em geração, acaba por nos proporcionar uma compreensão empobrecida da morte e, conseqüentemente, da vida. No entanto, independente do quanto a negamos ou não, ela é fato: vida e morte faz parte de um infindável ciclo de mudanças.

ESPAÇOS PARA NOVAS REFLEXÕES

Talvez uma das formas possíveis de modificarmos esse paradoxo seja a construção de espaços onde possamos refletir de forma um pouco mais séria sobre este tão delicado assunto. Conversar, buscar respostas, expressar nossas dúvidas, medos e angústias, nos possibilita entender e compreender melhor um determinado assunto. Mas, para algumas pessoas, pode não ser tão simples assim, pois elas podem se deparar com questões como com quem falar, quando conversar, onde encontrar apoio. Tudo bem, é natural todos esses questionamentos; cautela e respeito são importantes também, afinal a natureza não dá saltos!

Que essas dúvidas e outras mais sirvam de impulso para prosseguirmos na busca e não mais para nos manter paralisados  diante do desconhecido. A educação para a morte – expressão utilizada por alguns estudiosos do assunto – pode estar ao alcance de todos nós. Seja em espaços coletivos (escolas, instituições religiosas, família etc.) e individuais, já que atualmente temos acesso fácil aos meios de comunicação, incluindo aí internet, livros e revistas.

Quem sabe assim, construindo novos hábitos que incluam um tempo dedicado ao estudo e debate sobre a morte, nossa atitude frente a ela se transforme. Ao ponto de nos deixar mais seguros e tranquilos para podermos refletir sobre o quanto estamos preparados.

morte

Texto escrito por Ana Elisa de Castro
Psicóloga com atuação em Cuidados Paliativos e luto.
Espaço Cogitare: Rua João Cursino, 185. Vila Adyana. SJC -SP.
Telefone (12) 99786-7584

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