Como tratar a dor crônica de forma integrada

Como tratar a dor crônica de forma integrada

“É só uma dorzinha nas costas!”
“A dor de cabeça me ataca todo dia, mas eu tomo um remédio e passa!”
“Sinto dor no pescoço o tempo todo, acabei me acostumando!”

Você costuma dizer alguma dessas frases? Sente dor há mais de 3 meses? Então ela pode já ter se tornado uma dor crônica, algo que atinge 30% da população mundial.

Na maioria das vezes a pessoa começa a conviver com a dor por meio de paliativos, como os analgésicos. O problema é que isso não trata a causa da dor e com o passar do tempo a dor se torna a própria doença.

Conviver com essa sensação não leva apenas ao desconforto – compromete o bem-estar social e emocional da pessoa. Existem inclusive estudos que mostram que a dor crônica faz com que o cérebro encolha – literalmente!

O Dr. Apkarian, neurocientista da Universidade de Chicago, demonstrou que o cérebro de pacientes com dor crônica apresenta volume de massa cinzenta de 5 a 11% menor do que o de pessoas sem dor. O volume diminuído está relacionado à duração da dor. Sendo que a cada ano a pessoa perde 1,3cm3 de massa cinzenta. Como consequência, começa a ter dificuldades de memória, de solução de problemas e aprendizado.

Porque algumas pessoas sentem mais dor do que o normal?

O sistema nervoso e o cérebro são surpreendentes e extremamente complexos. O sistema nervoso é quem coloca o corpo em contato com o meio externo. Os estímulos nervosos são captados pelos órgãos dos sentidos e transmitidos por fibras nervosas até o cérebro, onde são decodificados e interpretados. É no cérebro que uma martelada no dedo, por exemplo, é interpretada como dor.

No meio deste caminho, entre o dedo e o cérebro, existem estruturas onde ocorre a inibição, amplificação ou distorção da dor. É como se fossem botões responsáveis por aumentar ou diminuir o “volume” da dor. Em uma pessoa com dor crônica esses botões não estão funcionando adequadamente, por isso um leve estímulo (que em outra pessoa não seria interpretado como dor), pode ser percebido como dor muito forte. Essa alteração no Sistema Nervoso é chamada “sensibilização central”.

Dor crônica afeta todas as outras áreas da vida

Além desse desequilíbrio no sistema de dor, as pessoas que têm dor crônica frequentemente são afetadas por outros problemas: ansiedade, depressão, alterações no apetite, distúrbios de sono (principalmente a insônia) e queda na produtividade do trabalho.

“Por isso a dor nunca deve ser encarada como normal, algo que seja obrigado a se conviver. Muitas vezes a causa não é encontrada, mas mesmo assim a dor deve ser tratada”, explica a Dra. Fabíola Peixoto Minson, médica coordenadora do grupo de Tratamento da Dor do Einstein.

A dor crônica envolve não só o aspecto físico (biológico), mas também os aspectos emocionais e sociais. Por isso, quando os fatores psicossociais estão envolvidos, mas não são levados em consideração no tratamento, os resultados não são bons. É muito comum ver pessoas que já passaram por vários profissionais, sem obter melhoras. Isso aumenta o sentimento de frustração, o estresse e até mesmo a depressão.

Tratamento multidisciplinar

Nos dias de hoje há um consenso que diz que as doenças e dores não devem ser resolvidas somente com medicamentos. O tratamento mais eficaz é o multidisciplinar, ou seja, realizado por profissionais de diversas áreas, que atuam em conjunto, cada um na sua especialidade, mas considerando o indivíduo como um todo.

Fibromialgia, por exemplo, é uma síndrome caracterizada por dor crônica em diversas partes do corpo, que requer uma abordagem integrada. De acordo com Victoria Menzies, professora da Universidade de Virginia, nos Estados Unidos, a remissão dos sintomas é rara e os efeitos adversos dos medicamentos podem complicar o controle dos sintomas. Por isso, é essencial que, associados aos remédios, os pacientes também sejam tratados com terapias complementares, como a acupuntura, fisioterapia, terapias holísticas, etc.

As dores de cabeça crônicas também estão bastante relacionadas aos fatores emocionais e problemas no sono.

Nesses casos a terapia cognitivo-comportamental (TCC) tem um papel extremamente importante. Essa é uma forma de psicoterapia eficaz no tratamento de insônia, depressão, vícios e também de dor crônica. A TCC se baseia no efeito que os pensamentos têm sobre o comportamento. As emoções e os sintomas de uma pessoa. Uma das suas premissas é que os pensamentos podem representar distorções que não tem muito a ver com a realidade. O resultado pode ser desagradável e inclui uma sensação física de alerta e tensão, liberando adrenalina e cortisol (hormônio do estresse). A TCC tem o objetivo de fazer com que a pessoa perceba essa distorção e os consequentes comportamentos mal-adaptativos, para ter capacidade de mudar suas atitudes e a percepção da dor.

Técnicas de relaxamento também são úteis no tratamento de cefaleias tensionais (inclusive em Disfunção da ATM), já que elas ocorrem devido à contração da musculatura. O relaxamento muscular progressivo tem o objetivo de quebrar ciclos de tensão muscular e dor. Além disso, o relaxamento também pode ser usado como uma estratégia aplicada no dia-a-dia para lidar com situações estressantes.

O relaxamento também é importante para possibilitar um sono de melhor qualidade. Nesse quesito, yoga, meditação, massoterapia, fitoterapia e musicoterapia também são comprovadamente eficazes.

Concluindo…

Por isso, se você tem algum tipo de dor há mais de 3 meses, não fique tomando remédios indiscriminadamente. Busque tratamento!

Use todos os benefícios que a medicina convencional tem para oferecer e procure também as terapias complementares que foram citadas nesse texto. Você pode escolher aquela que se encaixa melhor com o seu tipo de dor ou com a sua doença, e também com a sua preferência pessoal.

O tratamento integrado com certeza vai ser eficaz para mudar toda a sua condição física e emocional, melhorar a qualidade de sono, a produtividade no trabalho e o convívio com outras pessoas. Resumindo: muito mais bem estar e saúde para você!

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Texto escrito por Dra. Lia Alves Schinetski – Dentista, Pós-graduada na USP em Tratamento interdisciplinar da Dor. Para contato e currículo completo da profissional acesse http://circulosaudavel.com.br/convencionais/

Para ler mais sobre dor de cabeça, dor facial e Disfunção da ATM, entre no blog:

http://liaalves.com.br/blog/

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