Código de Conduta do Yoga Para Viver Melhor

Código de Conduta do Yoga Para Viver Melhor

A parte filosófica do Yoga nem sempre é abordada nas aulas de yoga, isso é mais comentado em cursos e retiros, mas conhecer a origem e significados dão mais valor à nossa prática e estilo de vida. Afinal, yoga vai muito além de se dominar a postura “x” ou “y”.

Escrituras clássicas como os Vedas, Upanishads, Mahabharata, Bhagavad Gita e Yoga Sutras norteiam as condutas dos praticantes.

No Yoga Sutra de Patañjali (compilador do yoga) encontramos os preceitos do yoga – yamas e niyamas – condutas que devemos evitar e outras que devemos praticar para se ter uma vida harmoniosa e tranquila, para facilitar a própria evolução no auto conhecimento.

Em uma palestra de um swami (mestre em yoga) escutei algo que me fez mudar, ou melhor, perceber o verdadeiro valor do Código de Conduta no Yoga, antes, visto por mim, como regras a serem seguidas rigorosamente para se obter sucesso na prática. O swami disse que os conselhos que o Yoga nos traz é simplesmente para facilitar nossa vida, para termos menos problemas, estresses e dores de cabeça e, assim, podermos nos dedicar melhor ao nosso conhecimento pessoal.

A vida pode ser simples.. nós que a complicamos. Como disse Oscar Wilde: ” A vida não é complexa. Nós é que temos complexos.” 

Vamos ao Código de Ética do Yoga

Yamas, proscrições.

Yama significa ‘controle’. O yogi quer evitar ou excluir da sua vida obstáculos e sentimentos indesejáveis. Os cinco preceitos são:

  1. Ahimsa: significa não-violência. Não ser violento em suas ações e pensamentos.  Ahimsa é evitar vitimizar os demais e a nós mesmos com nossas atitudes. Envolve desde a alimentação até a sua postura de não violência consigo mesmo em uma prática de yoga. Tirar a ideia de “sem dor, sem ganho” tão comum em algumas práticas físicas.

  2. Satya: é dizer a verdade. Alinhar pensamentos, palavras e ações, ser coerente com o nosso mundo interior e o exterior.

  3. Asteya: literalmente, significa não roubar. Não roubar o tempo, as idéias, o mérito ou a paciência dos demais, são formas de asteya que vão bastante além de apoderar-se de objetos alheios.

  4. Brahmacharya quer dizer conduta brahmínica. Muitas vezes, este preceito é traduzido com abstinência sexual, castidade ou celibato. Pessoalmente, prefiro traduzir o termo como fidelidade nos relacionamentos e autocontrole sexual, controle de uma força natural poderosa.

  5. Aparigraha é contentar-se com o necessário. Nesse sentido, o bom-senso deve prevalecer. Não acumular objetos inúteis, viver sem excessos.

Niyama, prescrições.

Niyama são recomendações, indicações que ajudam a organizar a vida interior e trazem serenidade ao praticante. Se estamos equilibrados, as mudanças e perturbações da vida não nos tiram a clareza e serenidade.

  1. Shauchan é ser puro. Estado de pureza interior, em sentimentos, pensamentos e gestos. Proporciona saúde física e clareza mental. Se desejamos nos transformar precisamos nos purificar, limpar, abrir espaço.

  2. Santosha quer dizer contentamento, capacidade de estar em paz consigo mesmo e com o mundo. Habilidade de adaptar-se e permanecer feliz as adversidades e desafios que estivermos atravessando. Sentir-se satisfeito consigo mesmo.

  3. Tapas significa esforço sobre si mesmo. Ser mais forte que nossas próprias fraquezas, e manter o foco e a motivação para a auto-superação. Dedicação contínua.

  4. Svadhyaya significa compreensão de si mesmo. Processo de autoconhecimento. Nem sempre é confortável, se descobrirmos algo em nós que não apreciamos precisamos entendê-lo e ser capaz de mudar, transformar.

  5. Ishvara pranidhana, é a entrega dos frutos das nossas ações ao Ser. Compreender que não temos direito de escolha sobre os frutos das nossas ações, uma vez que eles sempre retornam para nós da maneira justa e adequada, de acordo com a lei do karma. ação e reação. Livrar-se do ego. Ser altruísta.

Comece a observar seus pensamentos e atitudes do dia-a-dia e, aos poucos, aplique alguns desses conselhos. Pequenas e sutis mudanças fazem uma grande diferença em comportamento e sentimento ao longo do tempo.

Boas práticas!

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Texto escrito por Giselle Mello, instrutora, praticante, apaixonada e encantada pelos ensinamentos do yoga.

 

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