Você já deve ter escutado “Calma. Respira…”

Mas como um ato realizado automaticamente pode ser capaz de ajudar no relaxamento? Isso é possível diante de uma situação estressante?

Sim, e é sobre isso que falaremos aqui.

INSTINTO

Primeiro vamos entender como nosso cérebro reage frente ao perigo.

Antigamente as ameaças eram relacionadas à questões de sobrevivência, como ter que caçar para se alimentar, fugir de um possível predador, proteger sua cria, fingir-se de morto para enganar o inimigo.

Essas situações desencadeavam a reação de estresse, de luta, fuga ou paralisação. Mas passado o momento, o corpo e a mente naturalmente relaxavam.

Essa reação natural de estresse que nos permite viver até hoje, é nosso instinto mais primitivo.

Imagine que você está atravessando a rua distraído e escuta uma buzina. Em milésimos de segundo seu corpo se prepara para reagir e você, sem pensar, saí correndo, ou volta para trás, ou fica parado esperando o carro desviar.

Passado o susto, você naturalmente desarma essa reação de estresse e relaxa. Essa é a resposta natural de relaxamento.

Mas o acontece hoje em dia é que a maior causa de estresse, ansiedade e angústia são nossos próprios pensamentos em relação à algo. E na grande maioria das vezes eles nem são reais, são situações que ficamos imaginando (e sofrendo). E eles não param nunca, estamos sempre preocupados com nossos pensamentos sem permitir que nossa mente descanse.

Por isso a meditação nos convida a observar o que temos pensado e escolher conscientemente mudar esse padrão, assim, podemos tranquilizar nossa mente e, consequentemente nosso coração e emoções se também acalmam.

Mas a porta de entrada para qualquer processo de relaxamento e meditação é a nossa própria respiração. E você vai entender por quê?

 

 

RESPIRAÇÃO CONSCIENTE

Durante a situação de alarme a respiração acelera para oxigenar mais os músculos e prepará-los para o combate. Quando você respira acelerado seu cérebro entende que está em perigo.

Mas podemos, conscientemente, mudar o padrão da respiração e “dizer” para o nosso cérebro que está tudo bem e ele pode ficar tranquilo.

Lembre-se de um bebê adormecido respirando. O bebê respira mexendo mais com a barriga do que com o peito e em um ritmo lento e tranquilo.

Agora experimente você, enquanto lê essa matéria, respirar assim também.

Inspire, de preferência somente pelo nariz (claro, que se tiver dificuldade pode respirar pela boca), em um ritmo que seja devagar e confortável para você e sinta que sua barriga expande um pouco. Sem forçar nada, sem tentar encher demais os pulmões, sem tensionar o pescoço ou ombros. Você pode deixar as mãos no abdome para sentir melhor esse movimento.

Depois deixe o ar sair naturalmente pelas narinas e sinta que sua barriga retorna a posição inicial. Sem esforço para soltar todo ar, nem puxar o abdome para dentro.

No seu ritmo, continue respirando assim e aproveite para perceber o contato do ar com a sua pele, se o ar passa igual pelas duas narinas ou não, se é possível sentir alguma diferença na temperatura do ar quando você inspira e quando solta.

Como se sente agora?

É bem possível que você esteja mais relaxado.

Isso acontece porque atravessando o diafragma, que é o principal músculo da respiração e que separa o tórax do abdome, existe o nervo vago que está ligado com nosso sistema nervoso responsável pelo relaxamento. Então respirando assim esse nervo entende que você está em uma situação tranquila e que sua mente e corpo podem relaxar.

Experimente fazer essa respiração sempre antes de dormir ou antes de passar por uma situação difícil como uma prova, uma reunião de trabalho, uma cirurgia.

Mesmo durante um desafio você também pode usar esse recurso. Mas é bom treinarmos antes, em uma situação tranquila, para aprendermos e sentirmos os efeitos.

Algumas pessoas podem se sentir mais ansiosas com esse exercício, isso acontece as vezes, pois estamos sempre pedindo para nosso cérebro fazer mil coisas ao mesmo tempo e quando pedimos que ele só observe a respiração, a mente se estressa inicialmente. Geralmente, essas são as pessoas que mais precisam. Nesses casos essa prática pode ser associada como complementar a um tratamento psicológico, por exemplo.

 

É POSSÍVEL

Essa capacidade de resgatar a resposta natural de relaxamento é uma habilidade que todos nós já possuímos mas que as vezes perdemos devido ao estresse crônico que estamos vivendo.

Mas assim como qualquer outra habilidade que nosso cérebro pode aprender, nós podemos reaprender a relaxar e isso é muito saudável para nossa saúde em geral – corpo, mente, vida social, familiar ou profissional.

Sua saúde agradece!

 

Texto escrito por Giselle Mello

Fisioterapeuta e Instrutora de Yoga

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