A Vida Começa aos Quarenta. Será?

De acordo com a Antroposofia as fases da vida são divididas por setênios – períodos de 7 anos. E cada um desses setênios apresentam características específicas.

Nesse texto escrito pela aconselhadora biográfica Delcimar Cunha vamos compreender melhor o que acontece por volta dos 40 anos.

Nos anos 40, podemos vivenciar o vigor do pensamento que nos possibilita inovar, imaginar e aumentar a produtividade intelectual. É bem provável que surjam novas oportunidades para que a carreira seja pensada de uma outra perspectiva e assim reformulada.

Por volta dos 21 anos sentimos o anseio pela independência, no início dos anos 40 podemos sentir novamente, nesta fase também nos deparamos com o declínio das forças corpóreas: dificuldade para enxergar, ao correr percebemos que não temos o mesmo fôlego, força e flexibilidade muscular reduzidas, mudanças hormonais, etc.

Ao perceber o declínio da vitalidade, podemos sentir insatisfação que pode se configurar em uma ameaça a vivência do eu. O metabolismo não é mais o mesmo, determinados alimentos tornam-se indigestos, obesidade pode ocorrer também e como bem cantou Nando Reis: “Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia”.

Quanto aos aspectos psicológicos, pode ser um período de dúvida, de desorientação, desejo de ser jovem. E relação à espiritualidade nos anos 40, é possível que ocorra uma luta com o vazio, com a sensação de ter perdido algo.

A reação a esses fatos depende das características individuais, ao perceber os desafios, pode sentir-se em condições de superá-los, reagir e buscar alternativas para solucionar os desafios ou então utilizar formas de anestesiar as dores por meio do álcool, aventuras sexuais ou a indolência.

 

Frente a esse emaranhado de pensamentos e sentimentos, um bode expiatório pode ser uma saída para não encarar a responsabilidade com a própria vida.

Se na puberdade a curva vital é ascendente, na segunda é descendente; na primeira sentia poder para adentrar a vida real, na segunda o poder é reduzido e com isso o sentimento de incerteza sobre a vida.

Nas palavras de Gudrun Burkhard, autora do livro ‘Tomar a vida nas próprias mãos’: “Comparamos esta nova visão com a imagem de um indivíduo que sobe uma montanha e avista do topo um panorama todo e a correlação entre os diversos elementos da paisagem, enquanto até então ele estava dentro do contexto dos acontecimentos, no emaranhado da floresta, e enxergava só o que estava à sua volta”.

A partir do que encontramos no emaranhado da própria vida, fazemos escolhas que determinarão o futuro, contudo trata-se de um período favorável para libertar-se do ego, mas é preciso o desenvolvimento do altruísmo.

Ao olhar para o futuro ainda há muita vida a ser vivida, então podemos perguntar: “Neste momento, o que tenho que fazer para realizar a minha tarefa de vida?”

Agora retomo o tema deste artigo: A vida começa aos 40? Se mantivermos abertos às possibilidades para aprender a olhar a vida interior e que o eu esteja no controle da própria vida, é possível descobrir forças criativas para transformar o que precisa ser transformado, para desenvolver uma nova qualidade de vida, nova visão sobre si e sobre o outro também.

Uma nova vida, uma nova visão só é possível com a transformação de padrões que já não lhe servem mais: “Tudo o que era guardado a chave, permanecia novo por mais tempo… Mas meu propósito não era conservar o novo e sim renovar o velho.” (Walter Benjamin)

 

 

Texto escrito por Delcimar Cunha
Aconselhadora Biográfica 
com doutorado em Psicologia da Educação

 

Outros textos da autora:

Fases da Vida: A caminho dos 35

Aconselhamento Biográfico – Parte I

Aconselhamento Biográfico – Parte II

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